A vida está cá fora e não dentro de um ecrã

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Quantas horas do nosso dia passamos a olhar para um ecrã?

4 horas? 8 horas? Se trabalharmos em frente a um computador podemos passar cerca de 12 horas ou até mais! É incrível o n.º de horas que perdemos a olhar simplesmente para ecrãs sem nos darmos conta disso. É o computador, o telefone e a televisão e muitas vezes, tudo em simultâneo. Se estivermos a fazer algo produtivo e que, acima de tudo, contribui para algo não o vejo como uma perda de tempo. O pior são as horas inúteis que passamos ao telefone.

Acredito que o ser humano está aqui para contribuir. Apesar de não ser de todo isso que vejo no meu dia-a-dia. Vivemos centrados no nosso mundo. Estamos no planeta Terra apenas a consumir recursos e fazemos muito pouco para tornarmos o planeta um lugar melhor. Apenas pensamos no imediato. Esquecemo-nos que isto não vai durar para sempre. Mas não é sobre o futuro da humanidade que quero escrever.

A propósito de um podcast que estava a ouvir, falava-se sobre o tempo que passamos a olhar para o ecrã do nosso telefone e o facto de ser tão fácil hoje em dia saber o tempo que perdemos (basta aceder à funcionalidade “Tempo de ecrã” do iPhone e há também apps para isso).

Todos os dias faço por estar o mínimo de tempo possível a olhar para o telefone. Não navego nas redes sociais como outrora. Quando acedo é para fazer algo específico. Apenas tenho notificações para chamadas, mensagens e WhatsApp, tudo o resto está desligado, portanto só vejo se tenho alguma coisa se aceder à respectiva aplicação. No entanto, ainda assim passo 2h por dia a olhar para o telefone. Claro que algum desse tempo é a falar com pessoas verdadeiramente importantes para mim e também a trabalhar, mas ainda assim achei demasiado tempo.

Nessas 2 horas poderia estar a fazer algo realmente importante: a trabalhar num projecto que quero muito pôr em prática, a ler coisas verdadeiramente interessantes, a estudar, a ajudar outras pessoas, a limpar a praia, enfim, tantas outras coisas que contribuem para algo melhor.
Custou-me olhar para aquelas duas horas. Duas horas. Mas agradeci por isso mesmo. É isso que me faz reflectir e querer mudar ainda mais. Afinal é assim que crescemos!

Para além das horas que passamos sozinhos ao telefone (essas ninguém vê), preocupa-me que as pessoas interajam cada vez menos. Quantas vezes não presenciamos situações em que um grupo de amigos está num restaurante e cada um está apenas a olhar para o seu telefone? Às vezes gostava que os telefones fossem proibidos em restaurantes. Queremos desfrutar da refeição, dos amigos, da família, do momento. Então para quê pegarmos no telefone? Quando usamos um telefone nestas situações, simplesmente estamos a dizer a quem está connosco que o quer que estejamos a fazer é mais importante. É isto que queremos transmitir às pessoas de quem gostamos?

Mas não são só as nossas relações que são afectadas por estes pequenos dispositivos que vieram revolucionar a nossa vida (para o bem e para o mal). A luz azul emitida pelos telefones, tablets e computadores afecta o nosso cérebro, reduzindo os níveis de melatonina (a hormona do sono). Isso afecta não só o tempo que demoramos a adormecer, como também a qualidade do sono. Demoramos mais tempo a adormecer e dormimos pior, por isso é natural que acordemos um pouco cansados.

Esta luz azul também se encontra presente na luz solar. Por isso, se seguíssemos o ritmo da natureza, acordaríamos naturalmente quando o sol nasce e começaríamos a reduzir a actividade cerebral quando o sol se põe, evitando olhar para os ecrãs e começando a dar descanso aos nossos olhos. Claro que no inverno os dias são curtos e não vamos dormir às 18h. Os especialistas recomendam diminuir a exposição à luz azul uma a duas horas antes de ir dormir.

Mais importante do que reconhecermos que estamos completamente viciados nos nossos telefones, é perceber quando é que isso acontece. Desta forma, saímos do piloto automático. É como se nos puséssemos no lugar de observador sobre nós próprios. Só tomando esta consciência é que podemos agir. A motivação para mudar é simples: perceber o impacto que isto tem na nossa vida. O impacto nas relações (sobretudo com as pessoas de quem mais gostamos), o tempo que perdemos e que poderia ser gasto em algo que queremos mesmo fazer, mas que vamos dando a desculpa de que não temos tempo…

Como podemos reduzir o tempo de ecrã?

  • organizar as aplicações por pastas em vez de ter no ecrã inicial
  • desligar as notificações de várias aplicações, pois quando estão ligadas a tentação de acedermos é enorme e muito mais difícil de controlar (basta ouvir um “plim” e quando damos conta já passou mais de meia hora)
  • dedicar blocos de tempo específicos para cada coisa (20m por dia no facebook, 10m no instagram, 1 hora para responder a e-mails…)
  • deixar o telefone noutra divisão da casa quando não precisamos dele (se for mesmo um vício ir aumentando o tempo gradualmente que estamos sem telefone)
  • deixar o telefone longe da cama, assim evitamos estar a olhar para o ecrã antes de dormir e mal acordamos
  • não usar o telefone como despertador. Voltar aos velhinhos despertadores, acordar com a luz natural (deixando os estores abertos) ou usar um despertador “wake-up light”
  • ter uma rotina de sono/final de dia que não envolva o telefone. Pode ser meditar, fazer uma sequência leve de yoga, beber um chá, conversar, ler
  • fazer refeições sempre sem telefone
  • fazer períodos “phone-free”. Pode ser um dia por semana sem telefone por exemplo ou simplesmente desligar os dados móveis/wireless por alguns períodos de tempo
  • perceber quando temos mesmo que estar ao telefone (se é uma situação urgente/importante) ou se pode esperar. Hoje em dia infelizmente achamos que tudo é urgente e que temos que estar sempre disponíveis

A vida está cá fora e não dentro de um ecrã.

E só depende de nós educarmos os outros e educarmo-nos a nós mesmos.

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